quarta-feira, 8 de julho de 2015

Estudante de Medicina sofre racismo por 'não ser branquinha de cabelos lisos'

“Geralmente quem faz esses cursos [medicina] tem cabelos lisos, é branquinha e se veste de outra forma... Hoje até filho de faxineiro pode estudar?” Estudante da UFRB é vítima de racismo


Débora Reis, 29 anos, estudante do curso de Medicina da Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB) de Santo Antônio de Jesus relatou em sua página pessoal no Facebook um episódio em que foi vítima de racismo.
A jovem revela que, na tarde da última sexta-feira, 3, uma senhora que estava ao seu lado na fila de um correspondente bancário iniciou um diálogo: “Você estuda história? É impressionante como a carreira define a pessoa…”, questionou.
“Eu não, faço medicina”, respondeu Débora. “Minha nora também faz medicina, mas ela tem cabelos lisos, olhos claros e é bem branquinha”, rebateu a senhora.
“Por que a pergunta? Não pareço fazer medicina por não ter cabelos lisos e ter cara de pobre?”, questionou a estudante. “Não, porque geralmente quem faz esses cursos se veste de outra forma e hoje em dia até filho de faxineiro pode estudar”, respondeu, sem graça, a senhora.
Ainda em seu relato, Débora revela que se sentiu machucada com o diálogo e chegou a chorar. “Ao ouvir a declaração de que seres humanos, por serem negros, não têm cara de médico, doeu e eu chorei”, desabafou a jovem.
Internautas se solidarizaram com o depoimento de Débora e enviaram mensagens de apoio. “Que horror. Pessoa pequena. Só com muita paciência pra ouvir uma barbaridade dessas e conseguir manter o controle. Não sei onde vamos parar com tanto preconceito, com tanta falta de respeito ao próximo”, publicou uma internauta.
“Choro em ler este depoimento seu. Assim como você, não consigo entender e muito menos aceitar este tipo de comentário racista e medíocre”, escreveu outra usuária.
Racismo

Vítimas de preconceito racial estão cada vez mais dispostas a denunciar e relatar casos de racismo no Brasil e a população caminha a passos menos vagarosos para debater os incidentes lamentáveis. Os episódios que se proliferam desbancam teses encampadas por gente como Ali Kamel, diretor da Globo, e Demétrio Magnoli, escritor, segundo as quais impera no Brasil uma democracia racial. Relembre alguns casos recentes abordados em Pragmatismo Político:


O crime de racismo é imprescritível e inafiançável. Já a injúria racial qualificada tem pena de um a três anos de reclusão.

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